O esporte sempre esteve presente em minha vida. Desde muito jovem, comecei a praticar exercício físico, acompanhar esportes na televisão e praticar a natação como esporte competitivo.
Parei de nadar pois precisava estudar para entrar na faculdade de medicina, mas nunca deixei de lado o meu interesse pelo esporte. Ainda durante a faculdade, comecei a fazer parte da comissão antidoping da Confederação Brasileira de Futebol. Sempre caminhei ao lado do esporte.
Ainda durante meu período de formação na residência médica do IMIP, tive um questionamento: "Quantos talentos de futebol em formação acabam não chegando ao profissional por causa de problemas de saúde mental?"
Isso começou a me inquietar e me motivou a fazer meu estudo de mestrado "Avaliação de sintomas de ansiedade e depressão em atletas de futebol da categoria sub-20 em Recife-PE: um estudo transversal", publicado na Revista Brasileira de Medicina do Esporte (RBME).
O achado mais relevante foi a associação entre renda e saúde mental: atletas com menor renda apresentaram mais sintomas de depressão, enquanto a instabilidade financeira também se mostrou ligada a maiores níveis de ansiedade.
A literatura mostra que esses jovens, muitas vezes entre 17 e 20 anos, abdicam dos estudos e da convivência familiar apostando numa carreira altamente seletiva e incerta, sem qualquer rede de proteção financeira. Tudo isso pode contribuir para os achados do estudo.
Saúde mental no esporte ainda é algo sobre o qual precisamos conversar. Isso é algo que consigo ver no dia a dia conversando com atletas. O tema ainda é tabu dentro do meio competitivo, apesar de nos últimos anos alguns atletas famosos começarem a falar sobre isso. No Brasil, podemos ver Richarlison, atacante da seleção brasileira, que disse ter passado por um quadro depressivo severo após a Copa de 2022. No mundo, o lendário nadador Michael Phelps, ganhador de 23 medalhas de ouro nas Olimpíadas, também já falou das dificuldades que teve com a depressão e a ansiedade.
Diante disso tudo, precisamos pesquisar sobre saúde mental no esporte para cuidar desses atletas e poder vê-los competir na sua melhor forma — nos deixando incrédulos com suas performances de outro mundo.
Artigo original Revista Brasileira de Medicina do Esporte · Vol. 29 · 2023
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